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: ÍNDICE : Resenha do filme "O Nome da Rosa".

Francisco Alejandro Horne - Estudante de Direito
franciscohorne@terra.com.br

Data: 30/08/2006

Resenha do filme "O Nome da Rosa".

A Igreja Católica adentrou a Idade Média riquíssima, com uma fortuna incalculável, detentora do maior número de terras do Ocidente. Isso se deveu a Constantino, quando a instituiu, e entregou muita riqueza e posses.

Ela concentrou tantos poderes nas mãos, que os imperadores tinham que prestar “obediência” à igreja, mais precisamente à figura do papa. E não só os reis, mas o povo em geral.

Esse poder no plano material a autoridade ideológica que a igreja exercia sobre a população. Esse poder no plano espiritual vem desde a sua origem, quando Constantino, vendo seus súditos não o apoiando mais, lançou mão de uma nova religião, no caso o Cristianismo que estava em alta na época, para arrebanhá-los e “controla-los” no âmbito ideológico.Com esse controle em mãos, ficou fácil a manipulação do povo, mostrando o que era certo e errado na sua visão.

O modelo político da época medieval ajudou e muito a igreja a manter esse poder sobre os vários reis. Pois pelo fato do poder ser descentralizado, ficava difícil para os imperadores manter o controle total de seu reino. Como a igreja exercia uma forte influência sobre a população, esses imperadores aproveitavam isso e aliava-se à igreja para alcançar melhor seus súditos.

Essa ideologia pregada pela igreja católica que manipulava a população consistia na fé em Deus. O papa era o representante deste aqui na terra. A igreja “forçava” o povo obediência ao Papa e a seus dogmas, que eram incontestáveis. Era imposto às pessoas a aceitação a esse Deus, caso contrário seria severamente punido nos planos material e espiritual.

Essa “proximidade” da igreja com céu, entenda-se Deus, era tão forte e para ter um cunho ainda mais controlador, as edificação da Idade Média, as que estavam ligadas a ordem canônica, sua arquitetura era formadas por grandes torres pontiagudas em direção ao céu, simbolizando o encontro com o Divino. Esse tipo de arquitetura era denominado Gótico.

Era fácil para a igreja manter esse poder ideológico ficando na mente das pessoas, pois ela não deixava espaço para tais pesarem a respeito. Porque se isso estivesse acontecendo com alguém já era pecado, já confabulando contra Deus e a favor do “Diabo”. Então os indivíduos tinham medo. Também ficava difícil para a população discernir intelectualidade, por em pratica seu senso critico, pois não havia escola para civis, só para os padres, e mesmo aquele conhecimento que foi produzido e transposto para livros na Antigüidade pelos inúmeros e iluminado filósofos aprisionados filósofos na biblioteca dos mosteiros da Idade Media pala igreja. Pilhas intermináveis de livros encontravam-se nessa biblioteca, servindo apenas para apara poeira. Pois até os próprios padres eram proibidos de ter acesso a esses livros, só tinha seu acesso permitido alguns, do alto escalão da igreja.

Isso tudo que dizer que a Igreja cerceou todos os indivíduos de um período histórico de ter contato e adquirir conhecimento, pois se isso acontecesse, seria mais difícil controlar o povo, pois este munido de senso crítico não se deixaria ser enganado e uma inverdade imposta como certa nunca ocorreria. Então a Santa Madre Igreja fez seu trabalho muito bem feito, pois passou bastante tempo enganando indivíduos dessa forma e controlando a “mente” deste.

Os indivíduos que tentam quebrar essa barreira e de alguma forma teve acesso a algum tipo de conhecimento advindo desses livros da Antiguidade, em qualquer área, astronomia, astrologia, anatomia, matemática, entre outras, e tentaram expressar esse conhecimento e foram descobertos pela Igreja, receberam sanções mortais. Em primeiro plano, suas anotações a respeito de algum assunto dito como proibido pela instituição e todos os livros condenados por ela eram queimados em praça pública. Em segundo plano, era a pessoa que praticou esse atos “ilícitos” e todos seus seguidores que eram queimados em praça pública. Isso servia principalmente, para amedrontar a população e que ficasse bem claro, quem tentasse algum tipo de reação contra “Deus”, receberia o mesmo tratamento.

Essa prática de coação foi batizada pela Igreja de Santa Inquisição, onde os infiéis recebiam esse tipo de tratamento. O poder da Igreja era tão intenso que os reis se colocavam a essa prática dela. Para se ter um exemplo dessa força, quando um empregado do império ia recolher os impostos para coroa, tinha ao seu lado um representante da igreja católica cobrando também imposto, só que para a inquisição.

Mas esses desmandos arquitetados e posto em prática pela Igreja Católica, estavam caindo aos poucos. Os imperadores começaram a entender que poderiam retomar o poder de fato sobre seus súditos e suas terras, que por hora estava sob comando do Papa. Isso gerou uma série de atrito entre o “cetro e a coroa”, pois o primeiro não arrecadava como antes. Começavam a surgir os burgos, pequenas cidades onde os anseios dos cidadãos e indivíduos precisavam ser preenchidas e a Igreja já não acalentava essas diversas necessidades. A mudança da sociedade feudal era clara e notável.

Por mais que a Igreja tentasse esconder, surgiam a todo o momento vários focos de lutas contra a representação do Papa. Esses ditos infiéis, inevitavelmente, tiveram contato com essa literatura da antiguidade e cada vez mais produziam, depois de descoberto as barbaridades feitas pela igreja, verdadeiras armas contra essa instituição.

A Idade Moderna bate às portas da Idade Média e a Igreja Católica perdeu muito poder, seus dogmas, que antes era uma heresia a sua contestação, começaram a desmoronar. Séculos de ensinamentos, que na verdade eram falsos. A extirpação do saber, por meio das bibliotecas que eram os reservatórios do conhecimento, que não atingia a todos os indivíduos, por medo da Igreja de perde seu filão ideológico.

Não há como contesta, de fato a Igreja Católica foi sem dúvida um entrave para a antecipação da Idade Moderna. E esses, acima, são os argumentos que comprovam esse empecilho para adentrarmos na época iluminada da história. E esta poderá ser relatada numa outra oportunidade.

Como exemplo desse entrar, tem-se o filme O Nome da Rosa, que tem como centro da história uma biblioteca, caracterizada como reservatório do saber e como pano de fundo um mosteiro, onde se passa a trama.

O filme se passa no ano de 1327, época conhecida como alta idade média. Esse período representa uma época de obscuridade, atraso econômico e político conhecido também como a idade das trevas. É o longo período que vai desde 476, com a queda do Império Romano até a tomada de Constantinopla pelos Turcos Otomanos , em 1453.

A trama se desenvolve no interior de um mosteiro (Abadia) “no obscuro norte da Itália”. O mosteiro representa a forma tradicional que a igreja se estabeleceu no ocidente cristão. Estes faziam parte de um mundo fechado, uma verdadeira fortaleza com muralhas e portões que preservavam a vida monástica dos perigos. Os principais mosteiros medievais possuíam grandes riquezas, terras, tesouros e servos.

Essa época foi bastante influenciada pelo filósofo Santo Agostinho (354 – 430 ).

Este filósofo é considerado o ultimo dos filósofos antigo e o primeiro dos medievais.

Em seu tratado A Doutrina Cristã Santo Agostinho estabelece que “Os Cristãos podem e devem tomar da filosofia grega pagã tudo aquilo que for importante e útil para o desenvolvimento da doutrina crista, desde que, ao mesmo tempo, o que for tomado seja compatível com a fé”.(Marcondes, Danilo. In: Cultura e Imaginário. Rio de Janeiro; Mauad, 1998, p.21).

Essa tese é de fundamental importância para que possamos compreender o que se passa no interior da biblioteca do mosteiro. O acesso à biblioteca era restrito pois em seu interior existia um saber pagão que poderia ameaçar a doutrina cristã.

No filme o “tal” livro pagão era um texto da Comédia de Aristóteles segunda parte da Poética. Seguindo o pensamento de santo Agostinho, os clérigos restringiam o acesso ao conhecimento, servindo como um entrave, uma negação para a Idade Moderna.Porém os monges tinham um modo de vida bastante peculiar, se dedicavam a traduzir e copiar livros, o que foi essencial na preservação e difusão na cultura clássica e nas obras religiosas.

Com base nesses argumentos é que podemos considerar que a Idade Média também foi uma “semente” para o nascimento da Idade Moderna. Podemos considerar a biblioteca como o núcleo do mosteiro, sendo representado como um labirinto, um local secreto, onde o conhecimento nela existente não se dá a qualquer um. O saber como se pode observar no filme se mostra como algo que não é transparente, de acesso imediato, porém labiríntico, e em sua busca podemos nos perder com facilidade.

No personagem Guilherme de Baskerville podemos encontrar características de um Empirista, ou seja, busca o conhecimento através das experiências, da observação e da visão cientista contra a especulação. Ele carrega consigo um par de óculos, que simbolizam essa necessidade de observar bem os fatos.À medida que ele vai tentando desvendar os assassinatos que ocorrem no mosteiro fica mais claro sua visão de buscar a verdade através de observações meticulosas e da recusa por explicações sem sentido.Todos no mosteiro tentam explicar os acontecimentos como sendo obra divina. O inquisidor Bernardo Gui é chamado para desvendar o mistério em torno das mortes, e imediatamente vê a presença do demônio e de bruxaria. Essa é uma forma de conhecimento que não vê a realidade, fruto de supertição e da fé cega na doutrina.o motivos dos crimes é a defesa da tradição contra um novo saber.

A verdade é tratada no filme como algo que se deve buscar, através da observação dos fatos.

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