Via JUS - página principal
Consulta Processual
Jurisprudência
Notas de Expediente
Artigos
Links
Contato
Webmail Via RS
Via RS - A Internet dos Gaúchos
: ÍNDICE : A Justiça de Platão nos moldes da sociedade moderna

Cibele Cristina Oliveira Arthuso Lima - Estudante de Direito
cicris1982@hotmail.com

Data: 11/08/2009

A Justiça de Platão nos moldes da sociedade moderna

A Justiça de Platão nos moldes da sociedade moderna

Autor: Cibele Cristina Oliveira Arthuso Lima

Período: Acadêmica do 4º Período de Direito da Escola Superior Dom Helder Câmara

A Teoria da Justiça, exposta na República de Platão, é aquela em que a justiça ou virtude, no homem, é o governo dos apetites e da cólera pela razão. A pólis possui três classes sociais: a econômica (agricultores, comerciantes e artesãos); a dos guerreiros e a legislativa ou dos magistrados. Mas as funções das classes estão embaralhadas e não é por acaso que as cidades são injustas e mal governadas.

Se a classe econômica governar, a cidade estará voltada para a acumulação de riquezas, para uma vida de luxos e para lutas econômicas sem fim, aumentando o número de miseráveis e reduzindo o número de abastados. Se a classe dos guerreiros governar, lançará a cidade em guerras intermináveis. A classe dos magistrados, se não possuírem a ciência da política e não conhecerem a idéia de justiça, a qualidade das leis e do governo será duvidosa.

No que se refere à justiça coletiva, a virtude de justiça deve estabelecer uma relação harmônica entre as três classes sociais que compõem a pólis: os filósofos, que representam a cabeça, a razão da sociedade; os soldados, que são a força e a coragem, representando o peito, e, por último, os trabalhadores, que são o baixo ventre, as pernas, dando sustentação ao corpo social. Mas para que essa harmonia pretendida se estabeleça, condição fundamental é que a cidade se encarregue da educação de todas as crianças, que tem como objetivo revelar a alma que cada um possui e também determinar as capacidades e os limites de atuação de cada uma das classes sociais.

Esse modelo de Cidade Justa de Platão pode ser considerado um modelo ideal. Os homens são seres racionais, e por isso não podem viver como animais, movidos somente pelos seus instintos e desejos. Todos os homens possuem o direito natural, que consiste no direito à vida, à dignidade, à saúde, mas muitas vezes, um vai querer ter mais direito do que o outro e se não houver uma certa organização e limite, os conflitos e as guerras podem surgir.

Para que se tenha um país organizado onde os direitos sejam distribuídos igualmente, e os deveres sejam cumpridos pacificamente por todos, é necessário ter uma hierarquia, onde deve existir uma pessoa mais sensata para liderar o restante da população. Este governante deve usar de sua maior capacidade de raciocinar, para saber distribuir corretamente as funções, usar sabiamente as riquezas do povo para o próprio benefício do povo, no que diz respeito à saúde, moradia, sustento, educação. Mas quando se analisa a realidade em que se vive hoje, esse modelo de Cidade Justa, pode ser considerado ilusório e impossível de ser aplicado.

Não temos, como Platão propunha, uma cidade justa, cada um ocupando o seu devido lugar. Os cargos do governo brasileiro, por exemplo, estão sendo ocupados por pessoas erradas, sem capacidade, sem o mínimo de competência, que estão lá somente por conveniência, por dinheiro e pelo poder, preocupados somente com seus próprios interesses.

No que diz respeito à classe dos guerreiros, dos soldados, que têm como função proteger a cidade, hoje são caracterizados pela figura dos policiais. Esse é outro cargo que, ao contrário do que propunha Platão, não está sendo ocupado por pessoas devidamente preparadas para isso. Vemos policiais corruptos, que fazem acertos com os bandidos, com os traficantes, quando muitas vezes o próprio bandido ou comandante do tráfico possa ser ele mesmo. Hoje em dia a população não tem o mínimo de segurança. As pessoas andam pelas ruas, mas não temem somente os bandidos, temem também os policiais.

A falta de organização e de cada um ocupar o seu devido lugar na sociedade, começa com a educação precária. A raiz de todo o problema é que não temos hoje um processo pedagógico justo, onde todas as crianças e jovens têm acesso ao mesmo tipo de educação. Essa seria uma obrigação do governo que deveria disponibilizar o acesso à educação para todos da mesma forma. Dinheiro é que não falta. Se todos tivessem as mesmas oportunidades desde a infância, teriam a chance de alcançar as mesmas oportunidades em tudo na vida. Se todos tivessem o mesmo tipo de educação nas escolas, as seleções poderiam ser mais igualitárias e mais justas, não precisando, por exemplo, ter essa distribuição de cotas, bolsas, ou de financiamentos estudantis como se tem hoje no país.

Com uma educação de qualidade as pessoas poderiam ter um melhor discernimento na hora de votar e escolher uma pessoa mais capacitada para governar. Somente assim, poderíamos ter na administração do poder do país governantes mais competentes, que governem com a cabeça, com a razão, com a preocupação voltada para o bem da sociedade, e não com o “rei na barriga”, preocupados somente com seu próprio sustento, com o acúmulo de riquezas, abusando do poder que detêm para impor medo e submissão ao povo e os manipulando com uma simples cesta básica. Porque é do roer do estômago dos desmazelados, maior parte da sociedade brasileira, que esses governantes corruptos se aproveitam para se apossar do poder.

:: Retornar a Listagem de Artigos ::

Artigos
Pesquisa
Artigos recentes
Índice de artigos

Mostrar por página
Informações e sugestões